Amigos lamentam morte de travesti: 'único jeito de sobreviver é vendendo corpo'

Amigos lamentam morte de travesti: 'único jeito de sobreviver é vendendo corpo'

Por Raychelly Rodrigues 03/07/2019 - 11:48 hs

Amigos da travesti Jessyca Ananias, de 23 anos, assassinada a tiros na noite desta terça-feira (2) em Araguaína, lamentaram a morte dela nas redes sociais. Alguns internautas argumentaram que as travestis não têm oportunidades na cidade e que o único jeito "delas sobreviverem é vendendo o próprio corpo".

A Polícia Civil informou que três pessoas foram ouvidas na Central de Atendimento, após o crime. Entre elas, estão pessoas que estavam no local do crime. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios do município. O nome com que a vítima foi registrada pelos pais é Egnaldo Ananias de Sousa. Ninguém foi preso.

O homicídio foi registrado por volta das 22h17, no setor Entroncamento. A Polícia Militar informou que Jessyca estava no seu ponto de trabalho na companhia de outras travestis, quando o suspeito chegou em uma motocicleta. Ele seria um cliente do ponto de prostituição.

A PM informou que o homem cobrou de Jessyca um aparelho celular que teria sido furtado pelas travestis dias atrás. Nesse momento, o suspeito sacou a arma e começou a fazer ameaças. Ele então disparou duas vezes contra a vítima. Um dos tiros atingiu a cabeça dela. O homem fugiu levando um aparelho celular.

Nas redes sociais, um internauta destacou que o setor Entroncamento é perigoso e que já foi cenário de outras mortes envolvendo travestis. Também questionou quando algum órgão se preocupará de fato com essas pessoas.

Uma outra moradora de Araguaína disse que falta oportunidades de emprego para as travestis. "Ninguém vê uma travesti trabalhando em alguma loja, supermercado ou farmácia, elas não têm essas oportunidades, porque o preconceito é maior. Aí o único jeito delas sobreviver é vendendo o próprio corpo. Isso e muito triste, e muito triste saber que a sociedade fecham os olhos para esses tipos de acontecimentos [...]".